{"id":211971,"date":"2022-04-18T18:34:39","date_gmt":"2022-04-18T21:34:39","guid":{"rendered":"https:\/\/eephcfmusp.org.br\/portal\/online\/?p=211971"},"modified":"2025-07-23T15:50:35","modified_gmt":"2025-07-23T18:50:35","slug":"traumatismo-cranioencefalico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/hcxfmusp.org.br\/portal\/traumatismo-cranioencefalico\/","title":{"rendered":"Traumatismo Cranioencef\u00e1lico: o que \u00e9, tipos, gravidade e tratamento"},"content":{"rendered":"
Traumatismo cranioencef\u00e1lico constitui uma emerg\u00eancia m\u00e9dica com alta morbimortalidade, resultando em grandes impactos socioecon\u00f4micos. Dados epidemiol\u00f3gicos mostram que se trata da principal causa de morte nos Estados Unidos entre as idades de 1 a 45 anos. \u00a0Em m\u00e9dia, 39% dos pacientes com grave les\u00e3o cerebral traum\u00e1tica morrem e 60% evoluem com sequelas.<\/span><\/p>\n TCE \u00e9 definido como qualquer les\u00e3o de etiologia traum\u00e1tica que afete o par\u00eanquima cerebral ou suas estruturas subjacentes<\/strong>, como as meninges, os vasos, a calota craniana e o couro cabeludo.<\/span><\/p>\n Prim\u00e1ria: ocorre no momento do trauma e \u00e9 causada por mecanismos diretos (impacto, desacelera\u00e7\u00e3o, trauma penetrante); o dano resulta em contus\u00f5es focais, hematomas, edema cerebral;<\/span><\/p>\n Secund\u00e1ria: perdura por horas ou dias, e \u00e9 causada por m\u00faltiplos mecanismos de les\u00e3o tecidual, como isquemia, inflama\u00e7\u00e3o, etc. Dessa maneira, durante o tratamento \u00e9 imperativo evitar insultos cerebrais que possam piorar a les\u00e3o neuronal, como isquemia, hipoxemia e altera\u00e7\u00f5es da glicemia.<\/span><\/p>\n Em adultos, o compartimento intracraniano \u00e9 protegido pelo cr\u00e2nio, uma estrutura r\u00edgida com volume interno fixo de 1.400 a 1.700 mL, composto por 80% de par\u00eanquima cerebral, 10% de l\u00edquido cefalorraquidiano e 10% de sangue.<\/span><\/p>\n A PIC \u00e9 normalmente \u2264 15 mmHg em adultos e a hipertens\u00e3o intracraniana patol\u00f3gica (HIC) est\u00e1 presente quando a PIC \u00e9 \u2265 20 mmHg por per\u00edodo maior do que 5 minutos.<\/span><\/p>\n Uma vez que o volume total da ab\u00f3bada craniana \u00e9 invari\u00e1vel, um aumento no volume de um componente ou a presen\u00e7a de componentes patol\u00f3gicos, tais como hematomas, requer o deslocamento de outras estruturas, um aumento na PIC ou ambos. Deste modo, a PIC \u00e9 uma vari\u00e1vel que depende do volume e da complac\u00eancia de cada componente do compartimento intracraniano, tamb\u00e9m conhecida como doutrina Monro-Kellie (Figura 1).<\/span><\/p>\n Para que o c\u00e9rebro seja adequadamente perfundido, a Press\u00e3o Arterial M\u00e9dia (PAM) deve ser maior que a PIC. Quando a PAM est\u00e1 entre 50 e 150 mmHg, o fluxo sangu\u00edneo se autorregula e a perfus\u00e3o cerebral \u00e9 constante. Por\u00e9m, o TCE pode prejudicar esta autorregula\u00e7\u00e3o de tal modo que o c\u00e9rebro n\u00e3o possa compensar adequadamente a perfus\u00e3o, podendo causar em um extremo isquemia e infarto cerebral, e no outro extremo, edema e hipertens\u00e3o intracraniana.<\/span><\/p>\n A estratifica\u00e7\u00e3o \u00e9 baseada na perda ou altera\u00e7\u00e3o do n\u00edvel de consci\u00eancia, na ocorr\u00eancia de amn\u00e9sia p\u00f3s-traum\u00e1tica, na avalia\u00e7\u00e3o da escala de coma de Glasgow (ECG) nas primeiras 24 horas e na neuroimagem.<\/span><\/p>\n O TCE moderado a grave \u00e9 caracterizado por qualquer um dos seguintes:<\/span><\/p>\n A Escala de Coma de Glasgow (ECG) \u00e9 universalmente aceita como uma ferramenta para classifica\u00e7\u00e3o de gravidade do TCE, pois \u00e9 um instrumento simples e reprodut\u00edvel.<\/span><\/p>\n Isoladamente pela ECG, pontua\u00e7\u00f5es de 13 a 15 s\u00e3o considerados traumas leves, 9 a 12 intermedi\u00e1rios e \u2264 8 graves.<\/span><\/p>\n A tomografia computadorizada do cr\u00e2nio est\u00e1 indicada, na popula\u00e7\u00e3o adulta, se:<\/span><\/p>\n Confira: Qual o papel do Biom\u00e9dico no Diagn\u00f3stico por Imagem?<\/a><\/span><\/p>\n A principal complica\u00e7\u00e3o envolve a descompensa\u00e7\u00e3o da PIC e hernia\u00e7\u00e3o, isto \u00e9, protrus\u00e3o do c\u00e9rebro para fora do compartimento intracraniano. Isto pode ocorrer na base do cr\u00e2nio, levando a um estrangulamento e les\u00e3o do tronco cerebral, onde se encontram estruturas vitais, como o centro respirat\u00f3rio. S\u00e3o casos muito graves e eventualmente levam \u00e0 morte encef\u00e1lica.<\/span><\/p>\n Todos os pacientes com TCE devem receber atendimento inicial sistematizado segundo as normas estabelecidas pelo ATLS<\/a> (Advanced Trauma Life Support), focando na estabiliza\u00e7\u00e3o das vias a\u00e9reas, respira\u00e7\u00e3o e circula\u00e7\u00e3o antes de se atentar para as demais les\u00f5es.<\/span><\/p>\n Orienta-se manter imobiliza\u00e7\u00e3o cervical se ECG < 15, dor cervical, d\u00e9ficit neurol\u00f3gico focal ou parestesia de extremidades at\u00e9 que exclus\u00e3o de les\u00e3o cervical seja assegurada (cl\u00ednica e radiologicamente quando indicada).<\/span><\/p>\n Sugere-se a monitoriza\u00e7\u00e3o neurol\u00f3gica a cada 30 min at\u00e9 2 horas ap\u00f3s o paciente atingir ECG 15. A partir de ent\u00e3o, a vigil\u00e2ncia pode ser espa\u00e7ada.<\/span><\/p>\n \u00c9 necess\u00e1ria a discuss\u00e3o do plano terap\u00eautico com o neurocirurgi\u00e3o em todo caso com novos achados potencialmente cir\u00fargicos na neuroimagem, bem como (independente da tomografia computadorizada):<\/span><\/p>\n O tratamento do TCE grave visa \u00e0 monitoriza\u00e7\u00e3o da Press\u00e3o Intracraniana (PIC) e \u00e0 manuten\u00e7\u00e3o da perfus\u00e3o cerebral, bem como otimiza\u00e7\u00e3o da oxigena\u00e7\u00e3o e da Press\u00e3o Arterial (PA) e o controle da temperatura, glicemia, convuls\u00f5es e outros potenciais insultos que possam levar \u00e0 les\u00e3o cerebral secund\u00e1ria.<\/span><\/p>\n Na ocorr\u00eancia de TCE grave (ECG \u2264 8), orienta-se a transfer\u00eancia a hospital com servi\u00e7o neurocir\u00fargico. Salientamos, por\u00e9m, que n\u00e3o se devem transferir pacientes com hipotens\u00e3o persistente a despeito de ressuscita\u00e7\u00e3o at\u00e9 que a causa da instabilidade seja definida e o paciente estabilizado.<\/span><\/p>\n Sugere-se intuba\u00e7\u00e3o orotraqueal e estabelecimento da ventila\u00e7\u00e3o mec\u00e2nica antes da transfer\u00eancia nas seguintes situa\u00e7\u00f5es:<\/span><\/p>\n Quanto ao manejo hemodin\u00e2mico, recomenda-se manter a PAS \u2265 100 mmnHg em pacientes entre 50 – 59 anos e \u2265 110 mmHg se 15 – 49 anos e > 70 anos.<\/span><\/p>\n Leia tamb\u00e9m: Neurocirurgia: o que \u00e9, especializa\u00e7\u00e3o na \u00e1rea e avan\u00e7os tecnol\u00f3gicos<\/a><\/span><\/p>\n A monitoriza\u00e7\u00e3o da PIC no TCE grave est\u00e1 associada \u00e0 redu\u00e7\u00e3o da mortalidade. Valores > 22 mmHg suscitam interven\u00e7\u00e3o. \u00c9 claro que a PIC precisa ser interpretada em conjunto com a avalia\u00e7\u00e3o cl\u00ednica e os achados da neuroimagem.<\/span><\/p>\n Objetivamos uma Press\u00e3o de Perfus\u00e3o Cerebral (PPC = PAM – PIC) entre 60 – 70 mmHg. Vale ressaltar que evitam-se medidas intempestivas para se obterem valores > 70 mmHg com aux\u00edlio de fluidos ou vasopressores elevando a PAM.<\/span><\/p>\n Figura 1: O compartimento craniano \u00e9 uma estrutura r\u00edgida, contendo o c\u00e9rebro, l\u00edquido cefalorraquidiano e sangue. No estado normal, a Press\u00e3o Intracraniana (PIC) e a Press\u00e3o de Perfus\u00e3o Cerebral (PPC) s\u00e3o mantidas constantes por mecanismos de autorregula\u00e7\u00e3o, mesmo quando h\u00e1 altera\u00e7\u00f5es da Press\u00e3o Arterial M\u00e9dia (PAM).<\/span><\/p>\n Em um momento inicial, mesmo que haja um sangramento intracraniano, os mecanismos de compensa\u00e7\u00e3o s\u00e3o ativados, e a PIC (e consequentemente a PPC) se mant\u00e9m est\u00e1vel. No entanto, se o insulto se mant\u00e9m ou progride, pode haver descompensa\u00e7\u00e3o, com hipertens\u00e3o intracraniana, hernia\u00e7\u00e3o cerebral e morte.<\/span><\/p>\n <\/p>\n Prof. Dr. Heraldo Possolo de Souza \u00e9 professor associado do Departamento de Cl\u00ednica M\u00e9dica, Disciplina de Emerg\u00eancias Cl\u00ednicas da FMUSP e m\u00e9dico do Servi\u00e7o de Emerg\u00eancias Cl\u00ednicas do HCFMUSP<\/span>. \u00c9 um dos coordenadores do <\/span>curso de Medicina de Emerg\u00eancia<\/span><\/a>.\u00a0<\/span><\/span><\/p>\n Dr. Lucas Oliveira Marino possui Resid\u00eancia em Cl\u00ednica M\u00e9dica pelo Hospital das Cl\u00ednicas da Faculdade de Medicina da USP, \u00e9 especialista em Medicina Intensiva pela AMI e atua como m\u00e9dico-assistente da Disciplina de Emerg\u00eancias Cl\u00ednicas do HCFMUSP. \u00c9 um dos coordenadores do curso de <\/span>Medicina de Emerg\u00eancia<\/span><\/span><\/p>\n Refer\u00eancias:<\/strong><\/span><\/p>\n Carney N, Totten AM, O’Reilly C, et al. Guidelines for the Management of Severe Traumatic Brain Injury, Fourth Edition. Neurosurgery. 2017 Jan 1;80(1):6<\/a><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":" Traumatismo cranioencef\u00e1lico constitui uma emerg\u00eancia m\u00e9dica com alta morbimortalidade, resultando em grandes impactos socioecon\u00f4micos. Dados epidemiol\u00f3gicos mostram que se trata da principal causa de morte nos Estados Unidos entre as idades de 1 a 45 anos. \u00a0Em m\u00e9dia, 39% dos pacientes com grave les\u00e3o cerebral traum\u00e1tica morrem e 60% evoluem com sequelas. 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Tipos de les\u00e3o cerebral no Trauma Cracnioencef\u00e1lico<\/strong><\/span><\/h2>\n
Press\u00e3o intracraniana (PIC) em Trauma cr\u00e2nioencef\u00e1lico<\/strong><\/span><\/h3>\n
Como \u00e9 classificada a gravidade do Traumatismo cranioencef\u00e1lico<\/strong><\/span><\/h3>\n
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O que o TCE pode causar<\/strong><\/span><\/h3>\n
Manejo do trauma na Emerg\u00eancia<\/strong><\/span><\/h3>\n
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Manejo da PIC<\/strong><\/span><\/h3>\n
Op\u00e7\u00f5es de tratamento para a eleva\u00e7\u00e3o da PIC<\/span><\/h4>\n
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