{"id":212602,"date":"2022-04-29T10:15:30","date_gmt":"2022-04-29T13:15:30","guid":{"rendered":"https:\/\/eephcfmusp.org.br\/portal\/online\/?p=212602"},"modified":"2025-07-23T15:34:39","modified_gmt":"2025-07-23T18:34:39","slug":"pos-parada-cardiorrespiratoria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/hcxfmusp.org.br\/portal\/pos-parada-cardiorrespiratoria\/","title":{"rendered":"Manejo P\u00f3s-Parada Cardiorrespirat\u00f3ria: o que voc\u00ea precisa saber"},"content":{"rendered":"
Muito esfor\u00e7o \u00e9 empenhado no estudo do manejo da parada cardiorrespirat\u00f3ria<\/a> (PCR) em si, at\u00e9 pela intensa, louv\u00e1vel e fundamental campanha da American Heart Association<\/em> nas publica\u00e7\u00f5es sobre Suporte B\u00e1sico de Vida e Suporte Avan\u00e7ado de Vida em Cardiologia (BLS<\/a><\/strong><\/span> e ACLS<\/a><\/strong><\/span>, respectivamente). \u00c9 claro que o retorno \u00e0 circula\u00e7\u00e3o espont\u00e2nea (RCE) \u00e9 um grande passo, por\u00e9m ele deve ser entendido como uma janela de oportunidade para se iniciar uma longa e delicada jornada, t\u00e3o ou mais detalhada que o pr\u00f3prio manejo da PCR<\/a><\/strong><\/span>.<\/span><\/p>\n Os cuidados p\u00f3s parada cardiorrespirat\u00f3ria se resumem \u00e0 identifica\u00e7\u00e3o da causa, bem como \u00e0 minimiza\u00e7\u00e3o da disfun\u00e7\u00e3o de m\u00faltiplos \u00f3rg\u00e3os secund\u00e1ria \u00e0 les\u00e3o pelo processo de isquemia-reperfus\u00e3o. Uma revis\u00e3o sistem\u00e1tica com quase 2.000 pacientes com RCE p\u00f3s PCR intra e extra hospitalar evidenciou que uma via de cuidado estruturado organizado se associou a melhores desfechos (independ\u00eancia funcional ou leve depend\u00eancia) ap\u00f3s a alta hospitalar.<\/span><\/p>\n Aqui vamos tratar da melhor maneira para setorizar este cuidado, priorizando os principais passos na aten\u00e7\u00e3o imediata p\u00f3s PCR. A figura 1 traz um fluxograma muito did\u00e1tico dispon\u00edvel nos Guidelines de 2021<\/a><\/em><\/strong> <\/span>de cuidados p\u00f3s ressuscita\u00e7\u00e3o do European Resuscitation Council<\/em> e da European Society of Intensive Care Medicine<\/em>.<\/span><\/p>\n Alvo da PaCO2<\/u>: as recomenda\u00e7\u00f5es orientam manter a PaCO2 dentro da faixa da normalidade (normocapnia). Portanto, os alvos variam de 35 – 45 mmHg. Caso haja disponibilidade de capnografia, vale lembrar que os alvos de EtCO2<\/sub> (end-tidal<\/em> CO2<\/sub>) s\u00e3o de 30 – 40 mmHg. Tanto a hipocapnia quanto a hipercapnia est\u00e3o associados a piores desfechos (mortalidade intra hospitalar e evolu\u00e7\u00e3o neurol\u00f3gica) em estudos observacionais.<\/span><\/p>\n Oxigena\u00e7\u00e3o<\/u>: a preven\u00e7\u00e3o de hipoxemia (tipicamente definida como PaO2 < 60 mmHg) parece ter mais import\u00e2ncia que evitar a hiper\u00f3xia (PaO2 > 300 mmHg). \u00c9 claro que alguns estudos observacionais associaram hiper\u00f3xia a aumento de mortalidade hospitalar. Logo, evit\u00e1-la tamb\u00e9m \u00e9 desej\u00e1vel. No intuito de se minimizar a ocorr\u00eancia de hipoxemia, sugere-se manter FiO2 100% ap\u00f3s RCE at\u00e9 que se tenha uma SatO2 confi\u00e1vel. Em seguida, a FiO2 pode ser titulada para a menor poss\u00edvel para manter uma SatO2 >= 94%. O acompanhamento da gasometria arterial para esta titula\u00e7\u00e3o pode ser necess\u00e1rio em pacientes mal perfundidos (vasoconstric\u00e7\u00e3o perif\u00e9rica) com curva de oximetria n\u00e3o confi\u00e1vel.<\/span><\/p>\n Alvos de press\u00e3o arterial foram avaliados em bundles<\/em> de cuidados p\u00f3s PCR, e n\u00e3o em estudos de interven\u00e7\u00e3o como uma meta isolada. Portanto, de alguma forma o cuidado deve ser individualizado, visto que diferentes pacientes podem requerer especificidades a depender da condi\u00e7\u00e3o cr\u00edtica envolvida.<\/span><\/p>\n Via de regra, os guidelines<\/em> recomendam evitar e corrigir agressivamente a hipotens\u00e3o, mantendo a PAS > 90 mmHg e a PAM > 65 mmHg. A exposi\u00e7\u00e3o precoce a epis\u00f3dios de hipotens\u00e3o p\u00f3s PCR est\u00e1 associada ao aumento de mortalidade.\u00a0<\/span><\/p>\n S\u00edndrome coronariana aguda (SCA) \u00e9 causa frequente de PCR extra hospitalar sem causa extra card\u00edaca \u00f3bvia. Em pacientes com suspeita de causa card\u00edaca para a PCR, uma les\u00e3o coronariana com indica\u00e7\u00e3o de tratamento emergencial \u00e9 relatada na maioria dos pacientes com supra-ST e em at\u00e9 50% daqueles sem supra-ST no ECG.<\/span><\/p>\n Recomenda\u00e7\u00f5es da AHA na coronariografia no contexto p\u00f3s PCR<\/strong><\/span><\/p>\n O estudo TOMAHAWK,<\/a><\/strong> publicado no New England Journal of Medicine<\/em> em 2021, incluiu 554 pacientes v\u00edtimas de PCR<\/strong> extra hospitalar de poss\u00edvel origem card\u00edaca sem supra-ST no ECG e randomizou para coronariografia imediata vs.<\/em> tardia ou selecionada. Quase totalidade do grupo imediato foi submetido ao cateterismo (95,5%), em uma mediana de tempo de 2,9 horas, ao passo que somente 62,2% do grupo tardio teve a coronagrafia realizada, em 46,9 horas. N\u00e3o houve diferen\u00e7a entre aos grupos quanto a mortalidade em 30 dias ou d\u00e9ficits neurol\u00f3gicos graves. A mensagem do estudo \u00e9 que a coronariografia imediata n\u00e3o parece trazer melhores desfechos na popula\u00e7\u00e3o de pacientes com PCR<\/strong> extra hospitalar sem supra-ST no ECG.<\/span><\/p>\n O controle ativo de temperatura (CAT) se refere ao manejo cuidadoso da temperatura corporal ap\u00f3s RCE e est\u00e1 associado \u00e0 redu\u00e7\u00e3o de mortalidade e menor incid\u00eancia de complica\u00e7\u00f5es neurol\u00f3gicas. \u00c9 recomendado \u00e0queles pacientes comatosos ap\u00f3s RCE (90% dos pacientes admitidos no hospital ap\u00f3s RCE p\u00f3s PCR extra hospitalar).\u00a0<\/span><\/p>\n As recomenda\u00e7\u00f5es correntes das sociedades internacionais (American Heart Association<\/a><\/em><\/strong> e European Society of Intensive Care Medicine<\/em>) sugerem manter a temperatura corporal entre 32 – 36o<\/sup>C. Evid\u00eancias recentes, contudo, apontam que o limite superior pode chegar at\u00e9 37,5o<\/sup>C e que alvos de hipotermia terap\u00eautica (32 – 34o<\/sup>C) n\u00e3o s\u00e3o superiores a metas de temperatura mais conservadoras (<= 37,5o<\/sup>C), atualmente conhecidas como normotermia terap\u00eautica. \u00c9 prov\u00e1vel que os pr\u00f3ximos guidelines<\/em> a serem publicados atualizem estas metas.<\/span><\/p>\n O resfriamento intra hospitalar, quando indicado, deve come\u00e7ar assim que poss\u00edvel, com o objetivo de se atingir o alvo de temperatura em at\u00e9 3 – 4 horas. Habitualmente, usam-se medidas de resfriamento de superf\u00edcie (cobertores gelados, pacotes de gelo), por\u00e9m medidas intravasculares (soro gelado ou cateteres de resfriamento) tamb\u00e9m podem ser consideradas. Para a normotermia terap\u00eautica (<= 37,5o<\/sup>C), muitas vezes apenas o controle ambiental da temperatura, uso de antipir\u00e9ticos se necess\u00e1rio e eventualmente algum dispositivo para resfriamento externo costumam ser suficientes.<\/span><\/p>\n Durante o CAT, \u00e9 recomendado o controle dos calafrios com sedativos hipn\u00f3ticos (propofol, opioides, dexmedetomidina) e, em \u00faltimo caso, bloqueio neuromuscular. Ao contr\u00e1rio do resfriamento, o aquecimento deve ser passivo e lento (0,25 – 0,5o<\/sup>C\/hora). Orienta-se evitar epis\u00f3dios de febre ao menos 72 horas ap\u00f3s RCE.<\/span><\/p>\n N\u00e3o h\u00e1 evid\u00eancias que apontem para alguma diferen\u00e7a no controle glic\u00eamico de pacientes p\u00f3s parada cardiorrespirat\u00f3ria<\/strong> em compara\u00e7\u00e3o com os demais perfis de pacientes cr\u00edticos. Dessa forma, recomenda-se terapia com insulina quando a glicemia ultrapassa 180 mg\/dL. Iniciada a terapia, sugere-se a meta de 140 – 180 mg\/dL. O controle glic\u00eamico intensivo (meta entre 80 – 110 mg\/dL) deve ser evitado por se associar a maior incid\u00eancia de epis\u00f3dios de hipoglicemia e potencial associa\u00e7\u00e3o com maior mortalidade.<\/span><\/p>\n Dr. Lucas Oliveira Marino \u00e9 especialista em Medicina Intensiva pela AMIB, doutor em Ci\u00eancias pela FMUSP e atua como m\u00e9dico-assistente da Disciplina de Emerg\u00eancias Cl\u00ednicas do HCFMUSP. \u00c9 um dos coordenadores do curso de Medicina de Emerg\u00eanci<\/a><\/strong>a<\/strong><\/span>.<\/span><\/p>\n Refer\u00eancias sugeridas:<\/b><\/span><\/p>\n <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":" Muito esfor\u00e7o \u00e9 empenhado no estudo do manejo da parada cardiorrespirat\u00f3ria (PCR) em si, at\u00e9 pela intensa, louv\u00e1vel e fundamental campanha da American Heart Association nas publica\u00e7\u00f5es sobre Suporte B\u00e1sico de Vida e Suporte Avan\u00e7ado de Vida em Cardiologia (BLS e ACLS, respectivamente). \u00c9 claro que o retorno \u00e0 circula\u00e7\u00e3o espont\u00e2nea (RCE) \u00e9 um grande […]<\/p>\n","protected":false},"author":16598,"featured_media":390826,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[390,843],"tags":[],"class_list":["post-212602","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-blog","category-medicina-de-emergencia"],"yoast_head":"\nQuais os cuidados p\u00f3s PCR?<\/strong><\/span><\/h2>\n

Manejo respirat\u00f3rio p\u00f3s-PCR<\/strong><\/span><\/h3>\n
Manejo hemodin\u00e2mico p\u00f3s-PCR<\/strong><\/span><\/h3>\n
Coronariografia p\u00f3s-parada card\u00edaca<\/strong><\/span><\/h3>\n
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Manejo da temperatura<\/strong><\/span><\/h3>\n
Controle glic\u00eamico p\u00f3s-PCR<\/strong><\/span><\/h3>\n
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