{"id":29057,"date":"2018-12-17T18:21:00","date_gmt":"2018-12-17T20:21:00","guid":{"rendered":"https:\/\/eephcfmusp.org.br\/portal\/online\/?p=29057"},"modified":"2025-07-23T13:10:40","modified_gmt":"2025-07-23T16:10:40","slug":"cuidados-paliativos-tratam-vida-nao-morte","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/hcxfmusp.org.br\/portal\/cuidados-paliativos-tratam-vida-nao-morte\/","title":{"rendered":"Cuidados paliativos tratam da vida, e n\u00e3o da morte"},"content":{"rendered":"
As atividades de quem trabalha com cuidados paliativos<\/strong> s\u00e3o complexas e desafiadoras. \u00c9 uma \u00e1rea multiprofissional que exige integra\u00e7\u00e3o entre as equipes e um forte comprometimento com quem \u00e9 cuidado, em uma rela\u00e7\u00e3o afetuosa que envolve extremo zelo.<\/span><\/p>\n Por\u00e9m, talvez a maior dificuldade hoje em estender esses cuidados a quem precisa seja a de lidar com a desinforma\u00e7\u00e3o: as pessoas n\u00e3o entendem exatamente do que se trata o trabalho, ou se apoiam em cren\u00e7as ou preconceitos para defini-lo.<\/span><\/p>\n Cuidados paliativos<\/strong> n\u00e3o \u00e9 sobre a morte, mas sim sobre a vida. Entender sua origem e seu papel podem ajudar a amenizar o sofrimento de in\u00fameras pessoas \u2013 e de suas fam\u00edlias \u2013 quando diagnosticadas com uma doen\u00e7a grave; afinal, este \u00e9 seu principal objetivo.<\/span><\/p>\n \u201cCuidados paliativos<\/strong>\u201d est\u00e1 longe de ser um tema novo \u2013 de fato, ele vem ganhando mais espa\u00e7o nas discuss\u00f5es de sa\u00fade nas \u00faltimas d\u00e9cadas, mas a verdade \u00e9 que as modalidades de assist\u00eancia ligadas ao que seriam os cuidados se iniciaram na Idade Antiga. Segundo a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS<\/a>), \u00e9 uma \u201cabordagem que melhora a qualidade de vida de pacientes (adultos e crian\u00e7as) e suas fam\u00edlias, que enfrentam problemas associados a doen\u00e7as que amea\u00e7am a vida\u201d<\/span><\/span><\/p>\n O chamado moderno movimento hospice surgiu no final da d\u00e9cada de 1960, por meio do trabalho da brit\u00e2nica Cicely Saunders (1918-2005)<\/a><\/span> \u2013 ela fundou o St. Christopher\u2019s Hospice<\/a><\/span> em 1967, o primeiro a reunir especialistas em controle da dor e de sintomas aos das \u00e1reas de cuidado humanit\u00e1rio, ensino e pesquisa cl\u00ednica. O trabalho era, ent\u00e3o, prestado a pacientes com c\u00e2ncer no fim da vida, e havia j\u00e1 um alinhamento de comunica\u00e7\u00e3o entre os profissionais envolvidos, com controle de sintomas de forma rigorosa e impec\u00e1vel trabalho multiprofissional.<\/span><\/p>\n A isso se deu o nome de \u201ccuidado hospice\u201d \u2013 \u201chospice\u201d deriva do latim hospitium, que significa hospitalidade. O termo deu origem a outras palavras, como \u201chosp\u00edcio\u201d, \u201chospital\u201d, \u201chotel\u201d, \u201chotelaria\u201d, j\u00e1 que seu sentido original \u00e9 o de manter uma rela\u00e7\u00e3o afetuosa entre algu\u00e9m que \u00e9 recebido por outro algu\u00e9m, principalmente sob a condi\u00e7\u00e3o de fragilidade. O zelo e o cuidado s\u00e3o intr\u00ednsecos ao termo; \u00e9 preciso haver a rela\u00e7\u00e3o de afeto entre os indiv\u00edduos.<\/span><\/p>\n Em meados de 1975, uma reuni\u00e3o de especialistas no Canad\u00e1<\/a><\/span> definiu adotar o termo \u201ccuidado paliativo\u201d, e \u201chospice\u201d passou a significar a filosofia assistencial por detr\u00e1s do atendimento.<\/span><\/p>\n O paliativo vem de pallium, termo que diz respeito a capa, manto, o que protege, era usado para definir a capa dos cavaleiros medievais. \u00c9 aquilo que protege do frio, das intemp\u00e9ries, das dificuldades. Por isso, o cuidado paliativo tem o senso de acolhimento com afeto, \u00e9 o estabelecimento de uma rela\u00e7\u00e3o entre duas pessoas sob o contexto de prote\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n \u201cInfelizmente, no Brasil, \u2018paliativo\u2019 tem, tamb\u00e9m, outros significados \u2013 algo feito para atenuar um problema, adiar uma crise, uma dissimula\u00e7\u00e3o, uma gambiarra, algo de segunda linha. Estes n\u00e3o t\u00eam nada a ver com a origem da palavra, e causam dificuldade das pessoas na compreens\u00e3o do trabalho\u201d, pontua o Dr. Ricardo Tavares de Carvalho, coordenador do N\u00facleo T\u00e9cnico-Cient\u00edfico em Cuidados Paliativos do HCFMUSP<\/a><\/span>.<\/span><\/p>\n A partir de 1980, a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS) identificou no comit\u00ea de aten\u00e7\u00e3o ao c\u00e2ncer, o cuidado paliativo como um pilar essencial, englobando desde a preven\u00e7\u00e3o at\u00e9 o diagn\u00f3stico precoce e tratamento. Tornou-se, ent\u00e3o, obrigat\u00f3rio: para que fosse reconhecida como oncol\u00f3gica, determinada unidade deveria ter o servi\u00e7o do cuidado paliativo.<\/span><\/p>\n Por\u00e9m, infelizmente, essa regra n\u00e3o \u00e9 cumprida por todas as institui\u00e7\u00f5es; o n\u00famero de Centros de Alta Complexidade em Oncologia (Cacons) que de fato cumpre a regra \u00e9 baixo.<\/span><\/p>\n Com o fim do s\u00e9culo XX, ficou claro que a pr\u00e1tica deveria estar ligada a outras \u00e1reas da sa\u00fade, e n\u00e3o apenas \u00e0 oncologia.<\/span><\/p>\n A partir de 2002, amplia-se o conceito de Cuidados Paliativos<\/strong>, para abranger tamb\u00e9m pacientes com doen\u00e7as amea\u00e7adoras da vida. De fato, o cuidado paliativo \u00e9 uma abordagem terap\u00eautica que abra\u00e7a pacientes, e tamb\u00e9m suas fam\u00edlias, em contexto de amea\u00e7a \u00e0 vida.<\/span><\/p>\n \u201cNossa preocupa\u00e7\u00e3o \u00e9 com o sofrimento das pessoas \u2013 a partir do diagn\u00f3stico precoce, s\u00e3o feitos a comunica\u00e7\u00e3o de excel\u00eancia e o trabalho multiprofissional, que envolvem aspectos f\u00edsicos, ps\u00edquicos, espirituais e sociais\u201d, explica Dr. Ricardo.<\/span><\/p>\n Assim, a partir do s\u00e9culo XXI, organiza\u00e7\u00f5es come\u00e7am a se formar para advogar pela causa e se organizam internamente nos pa\u00edses para desenvolver a regula\u00e7\u00e3o e regulamenta\u00e7\u00e3o da pr\u00e1tica. Eles s\u00e3o divididos em seis n\u00edveis classificat\u00f3rios; em 2013, o Brasil estava no terceiro n\u00edvel, sendo o sexto o top. No n\u00edvel 1, praticamente ningu\u00e9m sabe o que \u00e9 cuidado paliativo; no 4B, o mais alto, o cuidado existe, h\u00e1 servi\u00e7os em quantidade apropriada para atender a todos, distribui\u00e7\u00e3o de medicamentos para a dor, interliga\u00e7\u00e3o entre os servi\u00e7os, uma sociedade que congrega tudo e um governo que entende como um atendimento realmente essencial.<\/span><\/p>\n N\u00edveis de cuidados paliativos<\/strong><\/span><\/p>\n Mais baixo ———————> Mais alto<\/span><\/p>\n 1\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 2\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a03A*\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 3B\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 4A\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 4B<\/span> <\/p>\n \u201cEstamos, portanto, no n\u00edvel em que h\u00e1 servi\u00e7os em n\u00famero insuficiente para a popula\u00e7\u00e3o, que trabalham de maneira isolada, n\u00e3o h\u00e1 integra\u00e7\u00e3o, mas \u00e9 um movimento em crescimento. Desde 2011, \u00e9 \u00e1rea de atua\u00e7\u00e3o do m\u00e9dico e h\u00e1 forma\u00e7\u00e3o espec\u00edfica com resid\u00eancia m\u00e9dica desde 2013. Por\u00e9m, s\u00f3 agora, em 31 de outubro de 2018, saiu uma resolu\u00e7\u00e3o do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade normatizando que o cuidado paliativo precisa fazer parte do Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS)\u201d, afirma Dr. Ricardo.<\/span><\/p>\nO que \u00e9 cuidado paliativo<\/strong><\/span><\/h2>\n
Cuidado Paliativos al\u00e9m do c\u00e2ncer<\/strong><\/span><\/h2>\n
\n*N\u00edvel do Brasil em 2013<\/em><\/span><\/p>\n