{"id":391723,"date":"2025-11-10T16:25:53","date_gmt":"2025-11-10T19:25:53","guid":{"rendered":"https:\/\/hcxfmusp.org.br\/portal\/?p=391723"},"modified":"2025-11-11T14:21:21","modified_gmt":"2025-11-11T17:21:21","slug":"depressao-resistente-diagnostico-e-novos-tratamentos-promissores","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/hcxfmusp.org.br\/portal\/depressao-resistente-diagnostico-e-novos-tratamentos-promissores\/","title":{"rendered":"Depress\u00e3o resistente: diagn\u00f3stico e novos tratamentos promissores"},"content":{"rendered":"\t\t
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A Depress\u00e3o Resistente a Tratamentos (DRT) \u00e9 um transtorno de humor, sendo considerada uma varia\u00e7\u00e3o grave do Transtorno Depressivo Maior (TDM). <\/span>Neste texto, aprenda a identificar o quadro e os tratamentos mais inovadores, de neuromodula\u00e7\u00e3o a intelig\u00eancia artificial. <\/b><\/span><\/span><\/p>\n
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\nPseudo-resist\u00eancia: o que atrapalha o tratamento da depress\u00e3o? <\/span><\/span><\/h2>\n
Para entender a depress\u00e3o resistente, primeiro devemos diferenciar a pseudo-resist\u00eancia – quando fatores espec\u00edficos quebram a efic\u00e1cia do tratamento. Entre os sabotadores de resultados est\u00e3o: <\/span><\/p>\n
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- Dosagem inadeq<\/span>uada (ades\u00e3o parcial):<\/b> <\/span>tomar<\/span> menos rem\u00e9dios por receio, ou utilizar doses maiores na pressa em reduzir os sintomas da depress\u00e3o. Doses menores podem n\u00e3o apresentar resposta satisfat\u00f3ria e, em caso de superdosagem, apresentam risco de intoxica\u00e7\u00e3o.<\/span><\/li>\n<\/ul>
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- N\u00e3o ades\u00e3o terap\u00eautica: <\/b><\/span>n\u00e3o tomar os rem\u00e9dios por acreditar numa melhora espont\u00e2nea, baseada na for\u00e7a de vontade, ou desconfian\u00e7a do tratamento.<\/li>\n<\/ul>
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- Comorbidades n\u00e3o tratadas: <\/b><\/span>o paciente tem outras doen\u00e7as al\u00e9m da depress\u00e3o sem o devido tratamento, podendo ser condi\u00e7\u00f5es psiqui\u00e1tricas, como transtorno de ansiedade generalizada e depend\u00eancia qu\u00edmica, ou doen\u00e7as cl\u00ednicas – end\u00f3crinas, como o hipotireoidismo, por exemplo.<\/li>\n<\/ul>\n<\/div>\n
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- Tratamentos de outras doen\u00e7as: <\/strong><\/span>os efeitos colaterais de medicamentos indicados para outras doen\u00e7as podem se manifestar como transtornos de humor. Por exemplo, o uso de corticoides est\u00e1 associado ao desenvolvimento de sintomas como depress\u00e3o e astenia (perda de for\u00e7a\/energia).<\/span><\/span><\/li>\n<\/ul>\n
Dr. Frederico Navas Demetrio, psiquiatra e coordenador do Programa de Transtornos Afetivos (PROGRUDA) do <\/span>Hospital das Cl\u00ednicas da USP,<\/span><\/a> faz um alerta: \u201cAntes de classificar como depress\u00e3o resistente a tratamentos, \u00e9 necess\u00e1rio investigar e afastar todos os fatores que podem contribuir para a falha terap\u00eautica\u201d.<\/span><\/span><\/p>\n
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O que \u00e9 depress\u00e3o resistente?<\/span><\/span><\/h2>\n
A depress\u00e3o resistente se caracteriza <\/span>quando o paciente n\u00e3o apresenta remiss\u00e3o dos sintomas ap\u00f3s duas tentativas completas e adequadas de tratamento com antidepressivos distintos.<\/b><\/span><\/p>\n
\u201cO paciente usou o antidepressivo A por pelo menos oito semanas; sendo que, desse total, quatro semanas foram mantidas na dose m\u00e1xima. Em seguida, utilizou o antidepressivo B pelo mesmo esquema\u201d, elucida o especialista.<\/span><\/p>\n
Ele ressalta ainda que, geralmente, os pacientes respondem bem aos tratamentos; por\u00e9m, al\u00e9m da depress\u00e3o resistente, o transtorno de humor pode evoluir para <\/span>depress\u00e3o refrat\u00e1ria.<\/span><\/a> \u201cOu seja, mesmo usando estrat\u00e9gias n\u00e3o farmacol\u00f3gicas, o paciente n\u00e3o apresenta remiss\u00e3o do epis\u00f3dio depressivo\u201d, completa. <\/span><\/span><\/p>\n
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Inova\u00e7\u00f5es no tratamento para depress\u00e3o resistente: cetamina, EMT e o futuro da neuromodula\u00e7\u00e3o<\/span><\/b><\/span><\/h2>\n
Quando as primeiras linhas de tratamento n\u00e3o apresentam resultados satisfat\u00f3rios para o transtorno de humor ou em casos de depress\u00e3o grave,<\/span> terapias de neuromodula\u00e7\u00e3o, interven\u00e7\u00f5es n\u00e3o farmacol\u00f3gicas e prescri\u00e7\u00e3o off-label <\/b>podem ser uma alternativa.<\/span><\/span><\/p>\n
\u201cEm um quadro de idea\u00e7\u00e3o suicida ou depress\u00e3o psic\u00f3tica, com del\u00edrios e alucina\u00e7\u00f5es referentes ao quadro depressivo, voc\u00ea precisa de uma resposta mais r\u00e1pida\u201d, analisa Dr. Frederico. <\/span><\/p>\n
Confira as principais op\u00e7\u00f5es para estes transtornos de humor. <\/span><\/p>\n
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Terapias de neuromodula\u00e7\u00e3o<\/b><\/span><\/h2>\n
Estimula\u00e7\u00e3o Magn\u00e9tica Transcraniana: <\/b><\/span><\/span>utilizada para estimular \u00e1reas do c\u00e9rebro do paciente por meio de campos magn\u00e9ticos. Geralmente, \u00e9 indicada para potencializar o uso de medica\u00e7\u00e3o.<\/span><\/span><\/p>\n
Infus\u00e3o de cetamina: (aplica\u00e7\u00e3o intranasal ou por infus\u00e3o):<\/b><\/span> a cetamina atua modulando o sistema glutamat\u00e9rgico da fisiopatologia da depress\u00e3o<\/span><\/a>. O uso deve ser concomitante com outras medica\u00e7\u00f5es e realizado com observa\u00e7\u00e3o de especialistas em <\/span>unidades de sa\u00fade <\/span>capacitadas. A resposta ao tratamento pode ser percept\u00edvel na primeira semana de uso. <\/span><\/span><\/p>\n
Eletroconvulsoterapia: <\/b><\/span><\/span>t\u00e9cnica que induz convuls\u00e3o controlada, por meio de eletrodos e impulsos el\u00e9tricos. O procedimento \u00e9 realizado em unidades de sa\u00fade sob anestesia, com monitoramento cont\u00ednuo dos sinais vitais. \u00c9 a \u00fanica das tr\u00eas que pode ser usada isoladamente, sem a associa\u00e7\u00e3o de medicamentos.<\/span><\/p>\n
O uso dessas alternativas deve ser criterioso. \u201cS\u00e3o tr\u00eas estrat\u00e9gias de resgate, para retirar o paciente do quadro mais agudo. Depois, ele pode fazer a manuten\u00e7\u00e3o com essas estrat\u00e9gias, mas normalmente se usa manuten\u00e7\u00e3o com medica\u00e7\u00e3o sozinha ou associada\u201d, esclarece o psiquiatra. <\/span><\/p>\n
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Neuromodula\u00e7\u00e3o extrema: Estimula\u00e7\u00e3o do Nervo Vago e Estimula\u00e7\u00e3o Cerebral Profunda<\/span> <\/b><\/span><\/h2>\n
As terapias de neuromodula\u00e7\u00e3o mais extremas s\u00e3o consideradas invasivas, pois utilizam neurocirurgia para o implante de componentes. Em uma delas a inser\u00e7\u00e3o dos eletrodos \u00e9 feita diretamente no c\u00e9rebro. Confira: <\/span><\/p>\n
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- Estimula\u00e7\u00e3o do Nervo Vago: <\/b><\/span>gerador de pulso implantado abaixo da clav\u00edcula para estimular o nervo vago e suas conex\u00f5es cerebrais. O tratamento modula a atividade de neurotransmissores e estruturas ligadas ao humor.<\/span><\/span><\/li>\n<\/ul>\n
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- Estimula\u00e7\u00e3o cerebral profunda<\/span>:<\/b> neurocirurgia com inser\u00e7\u00e3o de eletrodo em determinadas \u00e1reas do c\u00e9rebro para auxiliar a resposta ao tratamento. \u00daltima linha para casos de depress\u00e3o refrat\u00e1ria muito grave.<\/span><\/span><\/li>\n<\/ul>\n
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Psicoterapia, off-label, antipsic\u00f3ticos e terapias psicod\u00e9licas<\/b><\/span><\/h2>\n
Se o paciente apresentar resposta parcial ao tratamento do transtorno de humor, a <\/span>psicoterapia \u00e9 um potencializador importante.<\/span><\/a> <\/span><\/span><\/p>\n
H\u00e1 ainda prescri\u00e7\u00f5es medicamentosas consideradas off-label, ou seja, sem recomenda\u00e7\u00e3o formal na bula, mas com respaldo em estudos cl\u00ednicos.<\/span><\/p>\n
Entre os medicamentos psicoativos potencializadores, h\u00e1 op\u00e7\u00f5es como Brexpiprazol e Quetiapina. \u201cAlguns antipsic\u00f3ticos, em geral, em doses bem baixas, potencializam comprovadamente a a\u00e7\u00e3o do antidepressivo\u201d, indica o Dr. Frederico. <\/span><\/p>\n