{"id":70486,"date":"2020-04-07T09:50:44","date_gmt":"2020-04-07T12:50:44","guid":{"rendered":"https:\/\/eephcfmusp.org.br\/portal\/online\/?p=70486"},"modified":"2025-07-23T16:00:47","modified_gmt":"2025-07-23T19:00:47","slug":"saude-mental-mulher-interdisciplinar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/hcxfmusp.org.br\/portal\/saude-mental-mulher-interdisciplinar\/","title":{"rendered":"Sa\u00fade mental da mulher: uma quest\u00e3o interdisciplinar"},"content":{"rendered":"
A sa\u00fade mental da mulher<\/strong> \u00e9 rasamente discutida e analisada \u2013 tamb\u00e9m nos meios acad\u00eamicos. Ao ter oscila\u00e7\u00f5es de humor ou comportamento atreladas a horm\u00f4nios ou per\u00edodos como gesta\u00e7\u00e3o ou puerp\u00e9rio, elas tendem a ser subdiagnosticadas, e a viverem com patologias que poderiam ser tratadas. Perdem, portanto, qualidade de vida.<\/span><\/p>\n Esta \u00e9 uma constata\u00e7\u00e3o do Prof. Dr. Joel Renn\u00f3 Jr., diretor do Programa de Sa\u00fade Mental da Mulher do Instituto de Psiquiatria (IPq)<\/a><\/span> do HC. \u201cTrata-se de uma \u00e1rea que ainda tem uma psicofobia, um preconceito, e muitas mulheres acabam sofrendo caladas\u201d, explica.<\/span><\/p>\n \u201cNo programa que coordeno de sa\u00fade mental da mulher, vemos que poucos psiquiatras est\u00e3o capacitados para o tema. Tamb\u00e9m dou aula para profissionais correlatos, como obstetras e ginecologistas, p\u00fablico que realmente precisa desse tipo de informa\u00e7\u00e3o, pois lida ainda mais com o p\u00fablico feminino e, por vezes, nos momentos mais cr\u00edticos ou delicados\u201d, completa Prof. Joel, que foi o respons\u00e1vel pelo conte\u00fado do Proago \u2013 Programa de Atualiza\u00e7\u00e3o em Ginecologia e Obstetr\u00edcia da Federa\u00e7\u00e3o Brasileira das Associa\u00e7\u00f5es de Ginecologia e Obstetr\u00edcia (Febrasgo)<\/a><\/span>.<\/span><\/p>\n O fato \u00e9 que, mesmo com todo o desenvolvimento da Medicina, poucos profissionais est\u00e3o preparados para lidar com a sa\u00fade mental da mulher em toda a sua trajet\u00f3ria \u2013 especialmente em momentos como um pr\u00e9-natal, quando uma depress\u00e3o pode ser diagnosticada, por exemplo.<\/span><\/p>\n A gravidez \u00e9 um per\u00edodo em que h\u00e1 a ditadura da felicidade \u2013 espera-se que tudo seja lindo, m\u00e1gico, maravilhoso. Muito se fala sobre o “instinto materno”, o que joga um peso grande em algumas mulheres. H\u00e1 as que se questionam: o que fa\u00e7o agora? Sou competente? Eu mere\u00e7o? Por que eu n\u00e3o estou sentindo aquele amor incondicional?<\/span><\/p>\n Dr. Joel explica que esses questionamentos no in\u00edcio do puerp\u00e9rio s\u00e3o muito comuns e, se a mulher n\u00e3o tiver uma fam\u00edlia que d\u00ea um bom suporte, pode ser algo que a afete bastante.<\/span><\/p>\n \u201cOs sintomas na gesta\u00e7\u00e3o, na maioria das vezes, s\u00e3o cansa\u00e7o, irrita\u00e7\u00e3o, sonol\u00eancia, mas s\u00e3o associados \u00e0 gravidez ou aos horm\u00f4nios. Os profissionais da Sa\u00fade rastreiam hoje hipertens\u00e3o arterial, diabetes, anemia, hipotireoidismo, e a depress\u00e3o precisa ser rastreada como qualquer uma dessas doen\u00e7as, porque as consequ\u00eancias podem ser desastrosas tamb\u00e9m para a vida do beb\u00ea. Ao n\u00e3o diagnosticarmos, estamos prejudicando o v\u00ednculo entre m\u00e3e e filho, de maneira que essa crian\u00e7a, mais tarde, ter\u00e1 dificuldades nos seus relacionamentos, oriundos dessa fragilidade que se estabeleceu nos seus prim\u00f3rdios, na amamenta\u00e7\u00e3o\u201d, afirma o Professor.<\/span><\/p>\n Outro cen\u00e1rio preocupante, tamb\u00e9m, \u00e9 o de pessoas intrusivas, que ao inv\u00e9s de ajudar, acabam atrapalhando. \u201cCertos conselhos, para aquela mam\u00e3e que j\u00e1 est\u00e1 com in\u00edcio de depress\u00e3o p\u00f3s-parto, tem um peso de cobran\u00e7a que gera culpa nela. Esse \u00e9 um per\u00edodo muito especial na vida da mulher, e cada vez mais \u00e9 preciso prevenir traumas nesse momento \u2013 que, sem d\u00favida alguma \u00e9 m\u00e1gico, e precisa ser sentido assim por ela. Mas, algumas mulheres precisam ser tratadas adequadamente pelo profissional, de forma terap\u00eautica e, quando preciso, medicamentosa\u201d, completa.<\/span><\/p>\n O tratamento antidepressivo n\u00e3o \u00e9 imposs\u00edvel, mas h\u00e1 drogas que s\u00e3o as mais seguras e as que s\u00e3o contraindicadas para a mulher nesse momento; cabe ao profissional analisar os riscos e benef\u00edcios, e explicar para a paciente, em uma decis\u00e3o compartilhada com ela e a fam\u00edlia.<\/span><\/p>\n \u00a0Dr. Joel \u00e9 o coordenador da Jornada de Sa\u00fade Mental da Mulher<\/a><\/span>, um curso de atualiza\u00e7\u00e3o sobre os principais conceitos em sa\u00fade mental da gestante e da pu\u00e9rpera que aborda quest\u00f5es relacionadas \u00e0 psicopatologia, psicofarmacologia e outros temas relacionados. Ele \u00e9 direcionado a m\u00e9dicos psiquiatras e obstetras, m\u00e9dicos residentes, psic\u00f3logos, alunos de gradua\u00e7\u00e3o e demais profissionais de Sa\u00fade com interesse na \u00e1rea.<\/span><\/p>\n O evento est\u00e1 previsto para ser realizado no Ipq em 31 de outubro, e tem inscri\u00e7\u00f5es abertas at\u00e9 23 de outubro. Aos profissionais interessados, recomenda-se manter contato com o Centro de Estudos do Instituto de Psiquiatria (CEIP)<\/a><\/span>.<\/span><\/p>\n <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":" A sa\u00fade mental da mulher \u00e9 rasamente discutida e analisada \u2013 tamb\u00e9m nos meios acad\u00eamicos. Ao ter oscila\u00e7\u00f5es de humor ou comportamento atreladas a horm\u00f4nios ou per\u00edodos como gesta\u00e7\u00e3o ou puerp\u00e9rio, elas tendem a ser subdiagnosticadas, e a viverem com patologias que poderiam ser tratadas. Perdem, portanto, qualidade de vida. 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Jornada de Sa\u00fade Mental da Mulher<\/strong><\/span><\/h3>\n