A cardiogeriatria é a junção da profundidade da cardiologia com a extensão do conhecimento da geriatria.
“Em cardiogeriatria, não se olha exclusivamente para as doenças cardiológicas, mas sim para essas doenças no contexto do indivíduo que envelhece”, diz o Prof. Dr. Wilson Jacob, Diretor da Unidade de Cardiogeriatria no Instituto do Coração (InCor).
O envelhecimento populacional e a demanda pela cardiogeriatria
A especialidade responde a uma demanda de envelhecimento populacional no Brasil. Dados do IBGE apontam que os idosos representam 15,6% da população brasileira, mais do que a faixa etária de jovens de 15 a 24 anos, que alcançou 14,8%.
A expectativa é que, em 2046, os 60+ sejam a maior fatia populacional do Brasil. Em 2070, mais de um a cada três brasileiros serão idosos (37% dos brasileiros).
“A cardiogeriatria é uma especialidade necessária porque a população de idosos com 80 anos ou mais é a que mais cresce proporcionalmente no cenário nacional e internacional”, observa o diretor.
Com isso, cada vez mais pacientes precisam de opções ultraespecializadas. “A necessidade vai além do conhecimento cardiológico ou geriátrico habitual. A fusão dessas áreas oferece o melhor tratamento para essas pessoas”, completa.
Por que a saúde do coração em idosos exige um olhar especializado e diferenciado?
Os idosos frequentemente apresentam problemas cardiológicos de diversas origens – sejam fatores de risco para a vida futura, como hipertensão, ou consequências de doenças crônicas acumuladas ao longo da vida, como a insuficiência cardíaca.
“A cardiogeriatria complementa o conhecimento do cardiologista, ao abordar as nuances do envelhecimento, e o do geriatra, ao tratar as peculiaridades do sistema cardiocirculatório”, afirma o especialista.
Qual o papel da cardiogeriatria?
A cardiogeriatria atua em uma série de aplicações, sendo as principais:
- Diagnóstico precoce de doenças cardíacas: a cardiogeriatria permite diagnosticar precocemente doenças cardiológicas, mesmo aquelas que não apresentam sintomas óbvios ou que não se manifestam de forma tão clara;
- Olhar holístico para o idoso: considera o indivíduo idoso em sua totalidade, para incluir suas outras condições de saúde e o impacto do envelhecimento.
“A cardiogeriatria amplia o olhar para o envelhecimento nas necessidades que o indivíduo tem, além do tratamento cardiológico”, avalia o Prof. Dr. Wilson.
Como é o mercado de trabalho?
Locais de atuação
O cardiogeriatra pode atuar em diversos locais, como:
- Ambulatórios: tanto na rede pública quanto na privada, especialmente em ambulatórios de especialidades, atuando como um “resolvedor de problemas” em casos mais complexos.
“Aonde o cardiologista ou o geriatra encontra dificuldades, o cardiogeriatra terá uma solução, porque ele conhece o universo da cardiologia e da geriatria”, destaca o profissional.
- Hospitais: o profissional pode diminuir o tempo de permanência dos pacientes, o que é benéfico tanto para o paciente (retornando mais rápido ao convívio familiar) quanto para o sistema de saúde (otimizando custos e permitindo atender a mais pessoas). O cardiogeriatra também facilita o processo de “desospitalização”, tornando-o mais ágil e eficaz.
- Pesquisa e ensino: oportunidades para atuar em instituições acadêmicas e centros de pesquisa, além de ministrar aulas para a formação de novos profissionais.
A principal característica do cardiogeriatra é o desejo de transcender sua especialidade original, “seja ele um cardiologista que busca aprofundar seu conhecimento na área específica do idoso, ou um geriatra com interesse no sistema cardiovascular”, explica o especialista.
Médicos com formação em Clínica Médica, Saúde de Família ou setores afins também podem atuar na área.
Especialização Complementar em Cardiogeriatria
Inscreva-se na Especialização Complementar em Cardiogeriatria do HCX – o centro de aprendizagem do Hospital das Clínicas da USP.
“O curso conta com aulas práticas no Instituto do Coração (InCor), e eu diria que não existe um ambiente mais adequado para aprender cardiogeriatria”, defende o Prof. Dr. Wilson. Ele justifica: “Mais de 60% dos pacientes internados no InCor têm 60 anos ou mais”.
O professor acrescenta o contato com áreas como nutrição, psicologia, fisioterapia e educação física. “Nosso curso considera a interdisciplinaridade, e temos várias interações com cada uma dessas divisões próximas ao InCor. Isso permite ao aluno uma visão bastante ampla”, detalha.
A formação permite ainda networking e oportunidades para pesquisa e ensino no próprio InCor. Acesse a página do curso da Especialização Complementar em Cardiogeriatria e saiba mais!
