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A inovação em saúde exige um olhar além das consultas digitais; ela envolve novas tecnologias, processos, modelos de cuidado e formas de gestão capazes de melhorar os resultados para pacientes e instituições. 

Para se ter uma ideia, investir em saúde digital para doenças crônicas pode gerar até cerca de US$ 20 de retorno econômico para cada US$ 1 investido, ao mesmo tempo em que reduz mortes e internações, de acordo com a OMS.

Mas a saúde digital é apenas um dos caminhos possíveis para inovar. Quais são os principais tipos de inovação hospitalar? Quais são os desafios do setor e como atuar nessa área? Confira a seguir os principais pontos abordados!  

O que é inovação em saúde? 

Inovar em saúde é demonstrar que uma nova abordagem, tecnologia ou produto pode gerar impacto positivo em toda a cadeia de cuidados e, principalmente, no atendimento ao paciente. 

“A inovação precisa ser tão boa quanto – ou melhor que – as soluções já existentes. Para isso, será necessário realizar testes, incluindo a segurança, benefício, utilidade clínica e avaliação de custos da adoção da nova abordagem”, comenta o Professor Roger Chammas, docente da Faculdade de Medicina da USP, coordenador do Centro de Investigação Translacional em Oncologia do ICESP/HCFMUSP.

Isso acontece porque, diferente da inovação tradicional, a inovação em saúde lida diretamente com vidas humanas. Quanto mais próxima a novidade estiver do cuidado direto ao paciente, maior a responsabilidade. 

Quais os tipos de inovação na saúde?

Podemos dividir as inovações em saúde em três principais categorias: 

Exemplos de inovação em saúde

A inovação em saúde já está transformando a forma como o cuidado é oferecido, ampliando o acesso aos serviços, apoiando profissionais e tornando a gestão mais eficiente. Confira alguns exemplos de inovação em saúde: 

PDI Saúde Digital: saúde digital aplicada

Programa que pretende validar iniciativas de saúde digital no estado. A iniciativa é uma parceria entre a Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo (SES) e Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HCFMUSP). 

Entre as soluções estão: 

Confira os resultados de cada programa no Núcleo de Estratégias em Saúde.

Ressonância magnética com inteligência artificial

O HCFMUSP modernizou investe na inovação hospitalar, exemplo disso é a área de ressonância magnética do Instituto de Radiologia (INRAD) com novos equipamentos, incluindo uma tecnologia 3 Tesla pioneira na América Latina e com recursos de Inteligência Artificial. 

As soluções reduziram em cerca de 30% o tempo médio dos exames, ampliando a capacidade de atendimento e contribuindo para diagnósticos mais rápidos e precisos. A iniciativa também incorporou recursos para melhorar a experiência e o conforto dos pacientes durante os exames. 

Por que a inovação é essencial no setor?

Envelhecimento da população, subfinanciamento, alta sinistralidade e desigualdades geográficas de acesso são apenas algumas das barreiras que tornam a inovação em saúde uma urgência para o sistema.

Sem inovação, vidas correm risco: diagnósticos demoram a chegar e o sistema permanece no ciclo insustentável de tratar doenças graves que poderiam ter sido detectadas antes. 

Por isso, o setor precisa ser capaz de formar profissionais para questionar as soluções atuais, identificar dores reais e propor caminhos melhores; sempre com a segurança do paciente como prioridade.

“A perspectiva inovadora não é apenas conceito. É uma questão de atitude e comportamento”, avalia o especialista. 

Desafios da inovação na saúde

Apesar dos avanços dos últimos anos, a inovação na saúde ainda enfrenta desafios. Entre eles, estão:

“A gente precisa entender o que é algo potencialmente danoso, identificar quando esse dano implica um risco real e compreender a probabilidade de sucesso das intervenções. Então, temos que trabalhar esses conceitos e em vários níveis”, expõe. 

“É mais barato comprar inovação do que gerar inovação, no primeiro momento. Mas a dependência que isso gera é muito maior e pode ser mais danosa. Além disso, a inovação foi testada em determinada população e pode não atender ao ambiente que a comprou”, elucida o Prof. Roger. 

O papel dos gestores na inovação 

O papel dos gestores na inovação em saúde é amplo; o gestor precisa compreender todo o processo (da criação à implementação). 

Este conhecimento é importante para o gestor conectar a solução inovadora ao “mundo real”: viabilizar recursos, entender as instâncias regulatórias e garantir que a inovação chegue à sociedade.

“Entender a diferença entre custo e investimento na área da saúde é fundamental”, ressalta. 

Quem deve estudar inovação em saúde?

Todos devem estar conectados com a inovação em saúde e em constante desenvolvimento, mas, especialmente, dois perfis complementares:

A proposta é gerar sinergia entre esses grupos. Afinal, identificar um problema e trazer uma solução eficaz depende do pesquisador (que desenvolve a solução) e do gestor (que viabiliza que o novo se transforme em uma iniciativa real). 

Como se especializar

O MBA em Gestão da Inovação em Saúde do HCX Fmusp – uma parceria com o Instituto Butantan e o Hospital das Clínicas da FMUSP – é o caminho para ampliar a visão sobre os problemas reais do setor. 

O curso oferece ferramentas práticas para testar se as percepções dos profissionais realmente refletem as dores do mundo real. 

No Mentoring Application Plan, cada aluno desenvolve uma proposta real de intervenção — que pode envolver uma nova solução, produto ou negócio — com acompanhamento e mentoria de especialistas do HCFMUSP e do mercado. 

O InovaHC – núcleo de Inovação do HCFMUSP – ainda oferece outras iniciativas que dão suporte para transformar esse novo mindset em projetos e startups efetivamente implementados no sistema de saúde.

“Inovação é uma jornada. É uma mudança de atitude. O MBA de inovação é um passo nessa jornada”, conclui o Professor Roger Chammas.

Coordenam também o curso Ana Marisa Chudzinski-Tavassi, Diretora do Centro de Desenvolvimento e Inovação do Butantan, e na coordenação pedagógica de Linda Bernardes, Doutora em Ciências. 

Acesse a página do MBA em Gestão da Inovação em Saúde e saiba mais!