psicologa aplicando act

Você sabe o que é ACT, a Terapia de Aceitação e Compromisso? Como funciona a terapia? Quais são seus princípios centrais? Para quais transtornos é indicada? Qual a diferença entre ACT e outras abordagens?

Neste blog, descubra cada uma dessas questões e uma dica bônus: como se formar na área.

O que é ACT? 

ACT é a sigla em inglês para Terapia de Aceitação e Compromisso (Acceptance and Commitment Therapy), uma terapia de terceira geração, baseada nas ciências comportamentais contextuais. 

“Ela diz respeito ao desenvolvimento das terapias comportamentais após o behaviorismo radical e as terapias cognitivas”, explica a psicóloga, mestre em Psicologia Experimental e Especialista em Análise do Comportamento, Michaele Saban.

A teoria propõe que tentativas rígidas de evitar ou eliminar experiências internas difíceis podem ampliar o sofrimento e contribuir para o desenvolvimento e a manutenção de padrões associados à psicopatologia. 

No lugar de lutar contra pensamentos e emoções desconfortáveis, a terapia ACT propõe aceitar essas experiências e construir uma vida orientada por propósito.  

Entre os recursos terapêuticos estão técnicas como: 

Como funciona a terapia de aceitação e compromisso?

A ACT trabalha para ampliar a flexibilidade psicológica, reduzindo a esquiva experimental e ampliando a ação orientada a valores. 

 

Por exemplo:

Quais são os princípios da ACT?

O nome da abordagem sintetiza dois elementos centrais da sua proposta clínica: aceitação e compromisso, enquanto a prática trabalha com seis processos interrelacionados que favorecem o desenvolvimento da flexibilidade psicológica: aceitação, desfusão cognitiva, contato com o momento presente, self como contexto, valores e ação comprometida. 

Os seis processos não funcionam como etapas fixas. Na prática clínica, diferentes elementos podem ser trabalhados de acordo com as necessidades e o contexto de cada pessoa. 

Hexaflex: processos de flexibilidade psicológica 

O Hexaflex, também conhecido como hexágono da flexibilidade psicológica, é o modelo visual que organiza os processos da ACT.

hexágono_da_flexibilidade_psicológica

 Imagem: ACBS Bras

Para quais transtornos é indicada? 

A ACT pode ser utilizada no atendimento psicológico e psiquiátrico de pessoas de diferentes perfis e patologias. Por seu caráter transdiagnóstico, a abordagem não se restringe a diagnósticos específicos. 

Segundo a especialista, “essa terapia trabalha com o processo humano, como a linguagem, os comportamentos e as emoções funcionam, e não apenas com sintomas específicos de diagnósticos”.

Confira algumas condições para as quais existem evidências de eficácia: 

Agora que você já sabe o que é ACT, como a abordagem funciona, o papel do Hexaflex e para quais transtornos ela é indicada, confira uma comparação com outras linhas da psicologia. 

Diferença entre ACT,  TCC e psicanálise

A principal diferença entre a ACT, a TCC e a psicanálise está na forma como cada abordagem compreende e trabalha com os pensamentos.

Como explica a especialista Michaele Saban, “um diferencial dessa terapia para as outras abordagens é esta proposta bastante emocional, vivencial e prática de treino de habilidades e de enfrentamento. É uma proposta bastante humana que olha para como a pessoa está vivendo a própria vida”.

A tabela a seguir compara ACT, TCC e psicanálise quanto aos fundamentos teóricos, objetivos e outros aspectos centrais de cada abordagem. Confira:

 

Critério ACT  TCC Psicanálise
Fundamento teórico Behaviorismo contextual e Teoria das Molduras Relacionais (linguagem e cognição como comportamento verbal) Modelo cognitivo: pensamentos, emoções e comportamentos influenciam-se mutuamente.  Psicanálise: conflitos inconscientes, experiências precoces e mecanismos de defesa
Objetivo central Aumentar a flexibilidade psicológica e viver de acordo com valores, mesmo na presença de dor Identificar e reestruturar pensamentos e crenças distorcidas para reduzir sintomas Trazer conteúdos inconscientes à consciência para promover autoconhecimento e reorganização psíquica
Relação com pensamentos/

emoções

Não busca mudar o conteúdo dos pensamentos ou sentimentos; ensina a observar, desfundir (desfusão cognitiva) e vivenciar as emoções. Busca ativamente identificar, testar e modificar pensamentos automáticos e crenças centrais Interpreta o significado simbólico e histórico dos pensamentos e sentimentos, buscando significado nas experiências passadas
Papel do sofrimento Parte natural da experiência humana; tentativas rígidas de evitar experiências internas podem ampliar o sofrimento.  Pode estar relacionado a padrões de pensamento e comportamento que contribuem para sofrimento.  Manifestação simbólica de conflitos internos não resolvidos
Papel do passado Considera a história de aprendizagem, mas concentra a intervenção nas relações entre contexto, pensamentos, emoções e comportamentos no presente.  Moderado; investiga origem das crenças, mas com foco predominante no aqui e agora Central; história de vida, infância e relações precoces são fundamentais para compreender o presente
Papel do terapeuta Facilitador ativo que guia exercícios experienciais e metafóricos Diretivo e colaborativo, ensina habilidades e propõe tarefas estruturadas Postura mais neutra e de escuta, favorecendo o material inconsciente

 

Como aprender a Terapia de Aceitação e Compromisso? 

Para aplicar o método não basta entender o que é ACT, a vivência pessoal dos conceitos representa um grande divisor de águas no aprendizado. 

Essa proposta sustenta a Formação em Terapia de Aceitação e Compromisso (ACT) do Hospital das Clínicas da FMUSP, o maior hospital da América Latina. São mais de 100 horas de conteúdo teórico e prático conduzidas por professores de referência nacionais e internacionais.

“A metodologia de ensino é muito semelhante àquelas que os autores da ACT utilizam, que consiste em primeiro aplicar esses processos no/a aluno, para que a pessoa entenda como funciona na pele essa vivência, para depois aplicar no/a cliente ou no/a paciente”, destaca Michaele Saban. 

Ao longo de encontros online, os participantes percorrem três eixos complementares: teoria, prática vivencial das técnicas da ACT e supervisão clínica dos casos atendidos. 

O curso de atualização é indicado para psiquiatras, psicólogos, profissionais e estudantes da área de saúde. 

Acesse a página da Formação em Terapia de Aceitação e Compromisso e saiba mais!