A saúde feminina ultrapassa os aspectos biológicos: é preciso considerar os fatores de gênero que moldam as experiências de saúde e doença ao longo da vida. A visão é defendida na Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da Mulher (PNAISM).
“Isso envolve reconhecer as desigualdades e sobrecargas que as mulheres enfrentam na sociedade e que influenciam diretamente seus processos de adoecimento e cuidado”, explica Isabella Carreteiro, psicóloga responsável pelo Serviço de Psicologia na Clínica Ginecológica e no Centro de Reprodução Humana do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP.
Ou seja, o termo saúde feminina não é mero formalismo. “É essencial para entender as especificidades e vivências diversas das mulheres, promovendo abordagens de cuidado ampliado”, alerta Renata Bolibio, psicóloga responsável pelo Serviço de Psicologia na Clínica Obstétrica do HCFMUSP.
Além disso, as principais fases de saúde da mulher (menarca, adulta, climatério e menopausa) não devem ser ignoradas.
Psicologia na saúde da mulher
A assistência à saúde não deve ser limitada pelos aspectos físicos. O bem-estar também deve incluir o estado psicológico, ou seja, uma visão integral de saúde.
“A psicologia amplia o olhar sobre o que é saúde e doença, resgatando o que é sofrimento e mal-estar, propondo cuidados que vão impactar em todos os segmentos da vida da mulher”, esclarece a psicóloga Isabella Carreteiro.
Transtornos emocionais
O desenvolvimento de transtornos emocionais e situações de vulnerabilidade psicológica podem ser influenciados por fatores comuns já conhecidos na literatura científica.
Entre eles, o adoecimento, a vivência de situações de violência, ter baixa escolaridade, não ter atividade ocupacional, ter má qualidade de alimentação e sono.
“O profissional de saúde mental deve estar atento a essas características, identificando sinais de sofrimento e vulnerabilidade para construir, junto à paciente, estratégias de cuidado que façam sentido para seu contexto de vida”, orienta a especialista do Serviço de Psicologia na Clínica Obstétrica do HCFMUSP.
Saúde reprodutiva
A relação entre psicologia e saúde reprodutiva feminina surge no reconhecimento da necessidade do cuidado da saúde física e emocional, com olhar mais amplo e humanizado para as demandas reprodutivas.
“Esse cuidado acontece, por exemplo, no atendimento psicoterapêutico às pacientes com diagnóstico de infertilidade, realizando orientações psicoeducativas quanto ao planejamento familiar, atendimento dos casais que passarão por tratamento de reprodução assistida, acompanhamento em pré-natal psicológico e no pós-parto”, detalha a psicóloga Renata Bolibio.
Violência de gênero
A violência é um dos principais fatores que comprometem a saúde feminina. Dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) revelam a dimensão do problema: foram abertos mais de 2.500 processos por dia, nos primeiros meses do ano, relacionados à violência contra a mulher. São casos principlamente de violência doméstica, estupro e feminicídio.
“Dada sua alta prevalência, é essencial que os profissionais de saúde estejam capacitados para acolher essa demanda, realizar os encaminhamentos necessários e trabalhar em equipe multiprofissional. A formação contínua é indispensável para que esses profissionais atuem com sensibilidade e eficiência no enfrentamento das consequências físicas e emocionais dessa violência”, ressalta a psicóloga Renata Bolibio.
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