Engana-se quem acredita que psicoterapia é apenas uma conversa para desabafar. Na verdade, essa técnica é um processo estruturado de intervenção psicológica, fundamentado em conhecimento, princípios éticos e evidências científicas.
“Ela tem, como objetivo, auxiliar o paciente a compreender e modificar padrões disfuncionais de comportamento, desenvolver melhores habilidades emocionais e melhorar sua qualidade de vida de forma geral”, explica a Dra. Marina Fondello, médica do Instituto de Psiquiatria (IPq) do Hospital das Clínicas da USP (HCFMUSP).
A prática utiliza teorias psicológicas para promover mudanças no pensamento, no comportamento, na tolerância e no entendimento das emoções. Ou seja, impulsionar a formação de pessoas plenamente saudáveis.
Conforme a constituição da OMS, “saúde é um estado de completo bem-estar físico, mental e social e não apenas a mera ausência de doença ou enfermidade”.
Quais as abordagens da psicoterapia?
As diversas abordagens da psicoterapia se baseiam em diferentes modelos teóricos, incluindo a psicanálise, a terapia cognitivo-comportamental (TCC), a análise do comportamento, a terapia interpessoal, a terapia humanista-existencial e a Gestalt-terapia, entre outras.
“Dentre os elementos técnicos de toda a psicoterapia, independentemente da abordagem, destacam-se: a própria relação terapeuta-paciente, baseada na empatia, na confiança e na colaboração; técnicas específicas; setting e processos estruturados”, avalia a especialista.
Terapia Cognitivo-Comportamental
A Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) considera a premissa de que pensamentos, emoções e comportamentos estão interligados.
“Seu objetivo é identificar e modificar padrões de pensamento e comportamento disfuncionais para melhorar o bem-estar psicológico do indivíduo”, pontua a Dra. Marina Fondello.
Para isso, há estratégias como a exposição e dessensibilização para enfrentamento de medos e redução de respostas emocionais inadequadas. O foco está nas dificuldades atuais do paciente, com estabelecimento de metas terapêuticas claras.
Resumidamente, podemos destacar, sua estratégia como:
- Psicoeducação: o paciente aprende sobre seus processos mentais e como gerenciá-los ativamente;
- Reestruturação cognitiva: à identificação e substituição de crenças disfuncionais por pensamentos mais adaptativos;
- Estratégias comportamentais: como ativação comportamental, treinamento de habilidades sociais e resolução de problemas.
Psicanálise
A psicanálise busca compreender o funcionamento da mente humana por meio da análise do inconsciente, da infância e dos conflitos internos. A ideia é que o paciente tome consciência de seus conflitos internos (insight) e os elabore de forma saudável.
Trata-se de um processo terapêutico longo e sem prazo definido, atento aos aspectos da transferência e contratransferência, que entende que o paciente projeta sentimentos inconscientes no terapeuta, permitindo, assim, a análise de sua dinâmica psíquica.
Terapia Dialética-Comportamental
A Terapia Dialética-Comportamental é uma abordagem derivada, principalmente, da análise do comportamento, criada por Marsha Linehan para tratar transtornos emocionais graves, especialmente o Transtorno de Personalidade Borderline (TPB).
Pode incluir intervenções individuais e em grupo e enfatiza o equilíbrio entre aceitação e mudança, utilizando:
- Postura ativa de validação do terapeuta: a partir do reconhecimento da experiência emocional do paciente enquanto o auxilia a modificar padrões prejudiciais de comportamento;
- Base comportamental e dialética: para desenvolver regulação emocional e habilidades de enfrentamento;
- Treinamento de habilidades específicas: como regulação emocional, tolerância ao estresse, eficácia interpessoal e mindfulness;
- Manejo de crises emocionais: com habilidades capazes de reduzir comportamentos impulsivos e autodestrutivos.
Gestalt
A Gestalt-terapia, criada por Fritz Perls, enfatiza a experiência presente e a autorresponsabilidade, focando na consciência do “aqui e agora”.
O terapeuta mantém a postura de presença genuína do terapeuta, sem interpretações excessivas, e o uso de técnicas como a “cadeira vazia” para explorar emoções e conflitos internos.
“Ela trabalha com a experiência atual do paciente, que é incentivado a perceber seus pensamentos, emoções e comportamentos no momento presente, sem grande ênfase em passado ou futuro”, elucida.
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