A dor é um desafio de saúde global, que impacta as múltiplas áreas da vida: física, emocional e social. 

Ela está entre as principais causas de afastamento do trabalho e incapacidade funcional, além de afetar o sono e reduzir a qualidade de vida, no Brasil e no mundo. 

“A estatística é que cerca de 20 a 25% da população experimente dor em algum momento da vida”, explica a Dra. Lin Tchia Yeng, médica fisiatra e coordenadora do Centro de Dor do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (HCFMUSP).

A boa notícia é que a medicina avançou e hoje há uma área especializada no manejo e tratamento da dor. Isso é possível por meio de uma equipe interdisciplinar. 

Diferença entre dor crônica e dor aguda

A dor aguda é a resposta do corpo a um traumatismo, lesão ou doença, como um corte, uma fratura ou uma infecção. E pode desaparecer espontaneamente ou com o tratamento. 

Em outras palavras, é um sinal de alerta, indicando que algo está errado no organismo. Ela surge repentinamente, é intensa e tem uma duração limitada. 

Já a dor crônica ultrapassa três meses e pode ser tanto uma condição em si quanto um sintoma de outra doença, sendo mais complexa a sua fisiopatologia, com envolvimento de sistema nervoso periférico e central. 

Ainda é possível que uma dor aguda, sem acompanhamento adequado, possa evoluir para uma dor crônica, como as dores pós operatórias, por exemplo.

Principais tipos de dores 

A classificação dos principais tipos de dores é fundamental para avaliação, manejo e tratamento da dor. Confira: 

  • Dores nociceptivas:  ocorre quando há aumento de nocicepção, isto é, como quando há lesão, inflamação, como em casos de dores musculoesqueléticas, dor no período pós operatório, entre outros e podem ser manifestar como dores em peso, pressão, aperto, pontada, dolorida, entre outras.

 “Elas estão muitas vezes relacionadas ao envelhecimento da população (como osteoartrites), às posturas ergonômicas  ou as sobrecargas inadequadas (nas atividades do dia a dia, no trabalho, no sono, nas práticas de atividades físicas), no sono não reparador, à inatividade física, entre outros motivos”, esclarecem a Dra. Lin Tchia Yeng.

  • Dores neuropáticas: ocorrem devido ao comprometimento de estruturas nervosas somatossensitivos, manifestando-se frequentemente por dores espontâneas, como formigamento, adormecimento, choques elétricos ou pontadas, como em doentes com polineuropatia diabética, neuralgia pós herpética, pós lesão medular, pós traumatismo de estruturas nervosas, pós amputação de membros, pós quimioterapia, entre outras causas.
  • Dores nociplásticas: são causadas por uma alteração na forma como o sistema nervoso processa os sinais de dor, ou seja, uma nocicepção alterada.“São as dores que têm uma sensibilização do sistema nervoso periférico e central, como a fibromialgia, dor difusa pelo corpo, cefaleias crônicas, dores viscerais como a da síndrome do intestino irritado, entre outras”, pontua a médica.

Abordagem interdisciplinar no tratamento da dor

A dor é um fenômeno complexo. Logo, a avaliação, o manejo e o tratamento da dor não seguem uma fórmula única. Uma mesma dor pode estar associada a múltiplas causas. E é justamente por isso que a abordagem multi e/ou interdisciplinar no tratamento da dor é fundamental.

A integração de diferentes profissionais da saúde possibilita entregar um cuidado mais completo e personalizado ao paciente. “É importante avaliar a dor de modo apropriado para identificar seu tipo e proporcionar um tratamento que, quando possível, vai enfatizar a remoção das causas, fatores desencadeantes e/ou perpetuantes”, elucida a especialista.

Os hábitos de vida também devem ser levados em consideração. “É preciso otimizar aspectos como o controle de estresse, a ergonomia, a qualidade do sono, a alimentação adequada e a prática regular de atividade física, entre outros”, completa.

Técnicas e terapias para um alívio eficaz e duradouro da dor

Como explicado, a dor é um fenômeno complexo. Então, a prescrição de tratamento farmacológico apenas é insuficiente para abordar as diversas dimensões do problema. O tratamento farmacológico auxilia a dessensibilizar os pacientes com dores crônicas e facilita o engajamento a reabilitação.

“O tratamento multidisciplinar envolve uma avaliação médica apropriada, tratamento da fisioterapia, suporte psicossocial, porque muitas vezes o estresse também causa o agravamento ou sensibilização da dor”, orienta a Dra. Lin Tchia Yeng. 

Como alternativas de tratamento, a profissional enumera: “Podem ser usados acupuntura, algum bloqueio anestésico ou medicações importantes para dessensibilizar o sistema nervoso periférico central”. 

HCX oferece Especialização em Dor inovadora e com horários flexíveis

Diante da alta demanda do tratamento de dor, médicos devem investir em formação especializada. A pós-graduação em Dor do HCX é pioneira na área no Brasil, e apresenta o que há de mais relevante no setor. 

Você aprende com os maiores especialistas da área e ainda tem acesso à prática de atendimento do paciente com diversos quadros dolorosos do HCFMUSP. São mais de 40 ambulatórios distintos disponíveis para o aprendizado. 

Além disso, a formação é possível mesmo dentro de rotinas dinâmicas. Os horários das atividades práticas são previamente agendados e personalizados, conforme a agenda do aluno.

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